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nov 06

Solidários às comunidades, brasileiros condenam insegurança no trabalho na mineração

O saldo de mortos e desaparecidos, após o trágico rompimento de barragem de rejeitos em Mariana, na região Central de Minas Gerais, em 05/11, resulta das precárias condições de trabalho e insegurança nas minas. As barragens de rejeito concentram todo o material químico que sobra da extração e beneficiamento do minério, que é pesado, tóxico, contaminado e mal cheiroso.

Embora a atividade mineradora ofereça grande risco ambiental e humano, tais situações são recorrentes e decorrem diretamente da falta de punição aos responsáveis pelos acidentes de trabalho, por parte dos órgãos fiscalizadores.

A extração mineral é enquadrada pelo Ministério do Trabalho e Emprego no nível de Risco 4, o maior dentro da classificação. O trabalho na mineração sempre foi marcado pelo risco de morte, com acidentes provocados por soterramentos, afogamentos, explosões, atropelamentos e intoxicações. Também as doenças ocupacionais, típicas da mineração, como pneumonia, silicose e tuberculose.

Pesquisa realizada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), em 2006, aponta a preocupante média de 26,2 mortes por 100.000 trabalhadores, índice que coloca o Brasil posicionado entre os dez países com maior ocorrência de acidentes fatais na mineração.

Já o Tribunal Superior do Trabalho (TST), em estudo realizado em 2010, apresenta o setor extrativo mineral como responsável por quase 30% das ocorrências registradas. Em outros países, como a China, morrem cerca de 3.000 mineiros a cada ano.

MORTE DESDE O BRASIL IMPÉRIO – Desde os primórdios da mineração em Minas Gerais até os dias de hoje, os acidentes marcam a vida dos trabalhadores e das localidades.
Em 1789, a Câmara de Mariana apresentou ao Rei as causas determinantes da redução da contribuição das cem arrobas de ouro. Dentre elas, figuram os sucessivos acidentes provocados pela imprudência de mineiros que não observavam as mínimas condutas de segurança.

VÍTIMAS – O acidente com os mineiros no Chile, em 2010, chamou a atenção do mundo. Depois de 69 dias soterrados, em 700 metros de profundidade, em uma mina de cobre e ouro, uma megaoperação foi organizada para resgatar das vítimas.
O mineiro Franklin Lobos, um dos 33 trabalhadores presos na mina no Chile, desabafou resumiu em uma frase o risco de vida constante desses trabalhadores; “Dizem que somos heróis, mas somos vítimas dos empresários que não investem em segurança”.

Vandeir Messias, presidente da Força Minas